Em julho, Belo Horizonte não foi marcada apenas pelas baixas temperaturas da frente fria. Nas ruas da capital mineira, cerca de 140 jovens aprendizes da Fundação CDL-BH realizaram uma verdadeira imersão prática sobre economia financeira e comportamento financeiro da população, transformando o conteúdo aprendido em sala de aula em uma vivência enriquecedora.
A atividade fez parte do Módulo de Economia Financeira e foi inspirada nos trabalhos do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Batizada de “Pesquisa Sociodemográfica”, a ação foi idealizada pelos educadores sociais Glaydson Fonseca e Luana Campos, com o objetivo de estimular o senso crítico dos jovens a partir da coleta e análise de dados reais da população belorizontina.
Economia financeira na prática
Ao invés de apenas estudar gráficos e relatórios, os aprendizes foram às ruas com pranchetas e formulários de pesquisa para ouvir a população. Durante a ação, aproximadamente 400 pessoas responderam integralmente às perguntas, permitindo aos jovens compreender de forma concreta aspectos como:
- Hábitos de consumo
- Formas de poupança e investimento
- Grau de endividamento
- Acesso a serviços financeiros
- Influência da escolaridade e do emprego nas finanças pessoais
Essa vivência prática reforçou que a economia vai muito além de números: ela está diretamente ligada ao dia a dia das pessoas, influenciando escolhas, oportunidades e qualidade de vida.
Análise crítica além das finanças
Embora o foco da pesquisa fosse comportamento financeiro, a experiência também abriu espaço para reflexões sobre questões sociais, como empregabilidade, desigualdade de gênero no mercado de trabalho e acesso aos serviços e espaços da cidade.
Ao caminhar pelas ruas, os jovens também puderam observar o contexto urbano, percebendo, por exemplo, diferenças na infraestrutura de bairros e no acesso a oportunidades, enquanto se encantavam com a paisagem marcada pelos ipês floridos de Belo Horizonte.
Aprendizado inspirado no IBGE
A proposta do projeto foi fortemente inspirada nas metodologias de coleta de dados do Censo do IBGE de 2022. Os aprendizes tiveram acesso a gráficos e informações oficiais para comparar com os dados que eles próprios levantaram, identificando tendências e diferenças regionais.
Essa aproximação com métodos profissionais de pesquisa possibilitou que os jovens compreendessem melhor como estatísticas são construídas e como elas influenciam políticas públicas e estratégias empresariais.
Conexão entre teoria e prática
Uma das grandes vantagens de atividades como a Pesquisa Sociodemográfica é a fixação do conteúdo. Ao aplicar conceitos estudados em sala, os aprendizes puderam ver de perto os desafios que as famílias enfrentam para equilibrar o orçamento e planejar o futuro.
Além disso, o contato direto com diferentes perfis da população trouxe empatia e compreensão sobre as realidades econômicas que coexistem na mesma cidade.
Compromisso com a ética e o respeito à comunidade
Durante a ação, a Fundação CDL-BH reforçou a importância de agir com responsabilidade. Como não havia termo de autorização de uso de imagem, foi solicitado que qualquer foto onde apareçam pessoas da comunidade tenha seus rostos borrados, preservando a privacidade dos entrevistados.
Essa postura demonstra que, além de formar jovens preparados para o mercado de trabalho, a instituição também se preocupa em desenvolver cidadãos conscientes e éticos.
Formação para o futuro
A Fundação CDL-BH atua há décadas na formação e inserção profissional de jovens, preparando-os para assumir papéis de destaque na sociedade e no mundo corporativo. Projetos como esse não apenas ensinam conceitos de economia financeira, mas também desenvolvem competências como comunicação, análise crítica, empatia e trabalho em equipe.
Ao final da experiência, ficou claro que a educação financeira é uma ferramenta poderosa para transformar vidas. Quando os jovens compreendem como funcionam o orçamento, o consumo consciente e a importância do planejamento, eles não apenas melhoram suas próprias perspectivas, mas também se tornam multiplicadores de conhecimento em suas comunidades.