Cerca de 15 mulheres concluíram a formação gratuita da Fundação CDL-BH, que une gestão de negócios e desenvolvimento pessoal para fortalecer negócios liderados por mães.
O empreendedorismo feminino ganhou novas protagonistas em Belo Horizonte. Aproximadamente 15 mulheres concluíram a formação empreendedora do Projeto Afeto – Empoderamento e receberam seus certificados na cerimônia realizada em 9 de setembro de 2026, na sede da CDL/BH. Com palestra e entrega dos certificados, o encontro encerrou a edição deste ano da iniciativa da Fundação CDL-BH, braço social da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte.
A noite foi mais do que uma formalidade. Para as participantes, marcou o início de uma nova etapa: há quem esteja prestes a inaugurar o primeiro negócio e quem já tenha uma empresa em funcionamento e agora a conduza com mais segurança.
Uma formação que fortalece negócios e trajetórias
Ao longo de cinco encontros presenciais, realizados a cada quinze dias, as alunas passaram por conteúdos de formalização de negócios, marketing digital, finanças, precificação, gestão do tempo e inteligência emocional. A formação, oferecida gratuitamente, combina desenvolvimento pessoal e gestão empresarial em uma abordagem 360°: o objetivo é que a empreendedora saiba calcular o preço do que vende e também reconhecer o próprio valor.
Para o presidente da Fundação CDL/BH, Vilson Mayrink, a proposta responde diretamente aos obstáculos mais comuns entre as mulheres que empreendem: conciliar trabalho e família, acessar recursos financeiros, construir redes de apoio e mentoria e dominar ferramentas digitais. “Ao oferecer conhecimento e suporte, o projeto contribui para que essas mulheres tenham mais segurança para desenvolver seus empreendimentos e ampliar sua autonomia econômica”, explica.
Empreender também é cuidar
Esses obstáculos aparecem nos números do empreendedorismo feminino. Um estudo publicado em 2024 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostra que, segundo a PNADC, as microempreendedoras dedicam em média 17% menos tempo aos negócios do que os homens. O cuidado com crianças e idosos, o acompanhamento dos filhos e as tarefas domésticas ampliam a dificuldade de conciliar vida profissional e familiar.
O mesmo levantamento indica que 49% das empreendedoras são chefes de domicílio. Em quase metade dos casos, portanto, o negócio é a principal fonte de sustento da casa. Por isso, o estudo destaca a importância de estruturas de apoio que reconheçam a dupla responsabilidade entre empreendimento e família, um papel que iniciativas como o Projeto Afeto buscam cumprir.
Histórias que dão sentido aos números
Alda Pereira está prestes a inaugurar uma cafeteria no bairro Nova Suíça. “O meu negócio ainda está em fase de estruturação, mas a capacitação já me trouxe o entendimento de que esse desafio de conciliar vida familiar e empreendedorismo pode ser vencido, especialmente quando toda a família se envolve”, conta. Antes mesmo de a cafeteria abrir as portas, o marido e o filho já ajudam nos preparativos. A intenção, segundo ela, é ganhar flexibilidade para ajustar os horários da família. Não por acaso, “companheirismo” é a palavra que sustenta o negócio.
Maria do Carmo Nicodemos também empreendeu em busca de proximidade com a família. Sua confeitaria nasceu após o nascimento da segunda filha e de uma demissão. “Precisei criar um trabalho onde eu pudesse estar mais próxima às minhas filhas, especialmente a bebê, e que me gerasse renda”, lembra. O negócio cresceu e se tornou uma empresa de marmitas artesanais. “Hoje, além de cuidar da minha própria família, também ajudo outras a organizar a rotina de alimentação.”
Na formação, ela encontrou ferramentas para dar o passo seguinte. “Entender precificação, lucro real, comunicação e marketing estão me ajudando a dar passos que eu não sabia que era capaz”, afirma.
O impacto do Projeto Afeto
Desde 2023, 104 mulheres já passaram pela trilha de capacitação do projeto, que atende prioritariamente mães de Belo Horizonte e da Região Metropolitana em situação de vulnerabilidade social. As participantes chegam encaminhadas por organizações parceiras, pela rede de proteção social e pela sociedade civil.
Na edição de 2026, foram abertas 50 vagas, com inscrições entre 15 e 30 de junho. A cerimônia de setembro fechou o ciclo com a certificação das mulheres que concluíram todas as etapas.
A iniciativa expressa o propósito da Fundação CDL-BH, que em 2026 completa 40 anos de atuação: transformar vulnerabilidade em protagonismo. Quando uma mulher fortalece seu negócio, os efeitos ultrapassam o ambiente profissional e chegam à renda, à inclusão econômica e à rotina das famílias. É por isso que o empreendedorismo feminino, como aponta o próprio estudo, tem papel tão relevante na transformação da realidade de tantas famílias.
Do conhecimento à escolha
Ao encerrar a cerimônia, Vilson Mayrink resumiu o sentido do encontro. “Celebramos a conclusão de uma capacitação e os novos passos na trajetória de mulheres que estão transformando conhecimento em oportunidade, empreendedorismo em renda e autonomia em possibilidade de escolha”, concluiu.